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Definição da Questão da Pesquisa

Objetivo: formular o problema exato e a lacuna científica que o ARES se propõe a resolver.


As seções anteriores mostraram que, em desastres como o do RS em 2024, a queda de comunicação não é um evento único, mas uma cascata: energia cai, baterias das ERBs esgotam, acesso terrestre para reparo é cortado, fibra rompe fisicamente — e o apagão resultante dura semanas a meses, muito além do tempo de resposta emergencial.

Redes ad hoc de drones para desastre (FANETs) já são um campo de pesquisa maduro: roteamento adaptativo, clustering e uso em busca e resgate estão bem documentados na literatura [1][2]. O que essa literatura em geral não trata é o cenário específico da Seção 5 — falha simultânea e prolongada de múltiplas camadas de infraestrutura (energia, transporte, telecom) que se retroalimentam, num contexto de restrição regulatória real (espaço aéreo compartilhado, RBAC 100).

Falta uma arquitetura de comunicação que continue funcionando de forma autônoma e auditável durante todo esse intervalo estendido, não apenas nas primeiras horas — e que resolva a tradução entre o modelo assíncrono da rede interna (store-carry-forward) e o modelo síncrono da internet, sem perder priorização, ordenação ou rastreabilidade das mensagens.

Como projetar uma rede de comunicação assíncrona, tolerante a desconexão e energeticamente autônoma, capaz de sustentar entrega priorizada e auditável de mensagens de emergência durante uma falha em cascata de infraestrutura com duração de semanas, operando sob restrições regulatórias reais de espaço aéreo?


[1] Flying Ad-Hoc Networks (FANETs): Review of Communications, Challenges, Applications, Future Direction and Open Research Topics. ITM Web of Conferences 64, 01002 (2024). https://www.itm-conferences.org/articles/itmconf/pdf/2024/07/itmconf_icacs2024_01002.pdf

[2] Bhatia, T. K. et al. Flying Ad-Hoc Networks (FANETs): A Review. EAI, 2024. https://www.researchgate.net/publication/379133814_Flying_Ad-Hoc_Networks_FANETs_A_Review